sexta-feira, 6 de maio de 2011

Poesia e verdades absolutas


Uma fagulha, uma rajada
O incêndio se alastra.
No velho pardieiro,
O inferno cresce.
Na fuga alucinada
Há maldição e prece.

Na tática expectativa dos

Bombeiros
Um grito rasga a noite
Infante! Desesperado como um
Açoite
Na alma da multidão.

Onde há coragem para a
Salvação do ser que implora?
Os homens se agitam,

As mulheres choram
Mas arriscar a vida,

Só amor paterno
E a criança que padece é Jaime
O pequeno abandonado
Que vende jornais nas esquinas.
Pobre menino.

Então resoluto,

Enorme como um gigante
Impassível como uma estátua
Um vulto se destaca
O varredor de rua lança-se em meio às chamas
E volta com o menino
Num belo exemplo de amor

Jaime está salvo!
O pequeno poderá anunciar ainda:
Olha o Diário, a Gazeta, a Folha!

Correm os dias
O menino que vendia notícias
Era notícia nos jornais

Os repórteres fizeram a caridade publicitária
E agora os tribunais decidem o futuro
Da criança renascida

Levanta-se um casal
Podemos dar um lar, Senhor Juiz,
Não temos filhos, temos dinheiro
Terá colégios, conforto, viagens; será feliz
Jaime sonha boquiaberto
Um lar, colégios, conforto, viagens
Ele que vivia meio morto,
Dormindo ao relento,
Quase pedindo esmolas.

Mas no meio da plateia
Ergue-se a rude voz do varredor de ruas:
Senhor Juiz, eu quero o menino!
Vê a reprovação em cada olhar.

Sorri com esforço,
Contraindo a enorme cicatriz do rosto
E mostra para o menino
As mãos cobertas de ataduras

Jaime hipnotizado com
Aquelas mãos indaga:
Que foi? Quem machucou você?
Por que suas mãos estão assim?
Por quê?
E como se dissesse
A coisa mais natural do mundo
Responde o varredor de ruas:
As feridas nas minhas mãos
São as marcas do meu amor
Foi o fogo quando salvei você!
Jaime esquece o auditório,
Os futuros pais ricos,
O juiz que pede silêncio
E lança-se ao pescoço do homem
Que enfrentara a morte
Que não temera o fim
Gritando entre soluços:
Eu vou com ele, Senhor Juiz
Eu o amo! Ele sofreu por mim.
É a criança mais feliz
Mais cheia de gratidão
Não terá colégios,
Conforto, viagens,
Mas terá um amigo,
Um grande amigo
O melhor presente para o coração

(pausa)

Agora quero falar com você,
Você sem Cristo.
Porque eu vejo teu drama
Eu sei que o mundo te chama
E tudo o que ele oferece
É mais forte que a tua fé

Talvez uma mulher bonita
Que numa frase maldita
Te ofereça prazer e emoção


Talvez o dinheiro fácil,
O vício que te domina,
O ódio que te assassina
Corrompam teu coração.

Seja qual for tua história,
Só te aponto um caminho:
Corre ao Calvário sozinho
E contempla a tua cruz
Aquela maior, a do meio,
Pois é naquela que morre,
É daquela que escorre,
O sangue santo de Jesus.

Escolhes cá embaixo?
Optando a fama, o vício
A ruína e o prazer?
E lá no alto,
No topo da colina,
Jesus estará a te dizer:
As feridas das minhas mãos
São as marcas do meu amor
Para livrar-te do inferno
Para dar-te o gozo eterno
Eu aceitei tua dor.

Foi por amor a ti
Que rasguei as cortinas
Que ocultavam o céu
E agora o céu pode ser teu
Eternamente teu
Faz agora a tua escolha, ó amigo
Entre os bens da Terra
E a graça de Jesus
Mas antes lembra
Das duas mãos marcadas,
Feridas, dilaceradas
Por teus pecados
Sangrando na cruz


Mirtes Matias